Arquivos de setembro, 2010
A mistura de gás medicinal oxigênio e ozônio, injetada em hérnia de disco, pode aliviar dores nas costas sem os riscos de uma cirurgia, relatam investigadores.
As melhorias foram bem acima dos limiares de significância clínica e comparável à discectomia cirúrgica, relataram Dr. Kieran J. Murphy e colegas, da Universidade de Toronto.
Na meta-análise realizada pelo grupo, 79,7% dos pacientes que utilizaram ozônio melhoraram pelo menos uma categoria na escala de dor McNab. O tratamento experimental, parece ser uma maneira mais delicada de retirar a pressão sobre os nervos comprimidos pelo abaulamento do disco, relatou Dr. Murphy.
O tratamento pode ser uma opção antes de realizar um procedimento cirúrgico, relatou Dr. Murphy.
Embora o Dr. Murphy tenha recentemente inventado um dispositivo para fornecer uma dose consistente da mistura oxigênio-ozônio, pesquisadores italianos são pioneiros desta técnica.
Inicialmente Dr. Murphy teve dificuldades de acreditar nos resultados dos pesquisadores europeus e começou a investigar por si próprio. Em suínos, as experiências do seu grupo mostraram que o músculo não foi afetado por qualquer nível de ozônio, enquanto que a em baixas concentrações, a injeção de oxigênio parece ser ideal, tanto para os níveis de citocinas quanto para efeitos sobre o volume de disco.
Pesquisa em células de ovário de hamster chineses confirmaram que o ozônio, não o oxigênio, quebrou proteínas encontradas no núcleo pulposo do disco.
Para determinar o efeito do ozônio sobre a coluna de humanos, o grupo revisou a literatura e reuniram dados de 12 estudos com um total de mais de 8.000 pacientes que haviam sido tratados com ozônio para a dor nas costas em vários centros europeus. A média de melhora – com os resultados ponderados de acordo com a qualidade do estudo – foi de 3,9 a 10 cm de Escala Analógica Visual de dor (95% CI 3,2-4,5) e 25,7 no Oswestry Disability Index (95% IC 18,8 a 32,6).
O procedimento foi “extremamente seguro”, acrescentou o Dr. Murphy. O risco de complicações com a injeção de ozônio foi de 0,003% (95% intervalo de confiança 0,000% a 0,024%), muito inferior à discectomia cirúrgica, disse ele. Nenhuma complicação grave foi relatada.
Como assim, bom e mau? Esta é uma pergunta que muita gente faz, prinicipalmente quando uma notícia é divulgada no jornal alertando que os níveis de ozônio estão aumentados devido à poluição. Muitas pessoas questionam se este “ozônio” que tanto falamos, produzido pelos geradores, é este mesmo ozônio considerado “mau”.
O ozônio, assim como outras moléculas, pode ser considerado uma molécula “boa” ou “má”. Encontrei um exemplo bem ilustrativo em um site e achei muito interessante para exemplificar o que acontece na prática:
Num mercado de peixe aberto, como no exemplo foto acima, o ozônio influencia estas pessoas de três maneiras.
1 – Bom ozônio: 20 quilômetros acima deles ajuda a proteger os olhos e a pele das radiações UV (camada de ozônio).
2- Mau Ozônio: ao nível do solo, dependendo da concentração, prejudica os pulmões.
3- Ozônio Bom e útil:
- O ozônio, utilizado em empresas próximas, mata fungos e bactérias, tira o mau cheiro.
- No mercado do peixe, é útil para limpeza e conservação dos peixes.
- Quando utilizados pela estação de tratamento de água cidade, mata os microrganismos presentes na água e ajuda no processo de purificação, oxidando moléculas de ferro, etc.
Tudo isso sem mencionar o ozônio de uso médico.
Onde encontramos este ozônio “mau”?
É o ozônio encontrado na troposfera, produzido pelo homem, como o resultado da poluição do ar de motores de combustão interna e usinas geradoras de energia. O escapamento dos automóveis e as emissões industriais liberam uma gama de gases de óxido nitroso (NOx) e compostos orgânicos voláteis (VOC), subprodutos da queima de gasolina e carvão. O NOx e o VOC´s combinam-se quimicamente com o oxigênio para formar ozônio durante dias ensolarados de altas temperaturas no final da primavera, verão e começo do outono.
O Brasil é o sétimo maior consumidor de águas engarrafadas no mundo, segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A água mineral natural deve apresentar qualidade que garanta ausência de risco à saúde do consumidor, devendo ser captada, processada e envasada obedecendo às condições higiênico-sanitárias e as boas práticas de fabricação, sem alterar suas características originais.
A sanitização inadequada das embalagens ou a sua contaminação posterior, resulta na condenação do lote de água mineral. Segundo o Ministério da Saúde, neste produto não podem ser constatadas as presenças de E. coli ou coliformes (fecais) termotolerantes ou coliformes totais, enterococos, P. aeruginosa e/ou clostrídios sulfito redutores, em quantidade superior a 2 UFC/mL [5].
Numerosos compostos químicos utilizados na desinfecção provocam efeitos mutagênicos, com perigos referentes a resíduos potencialmente carcinogênicos nos alimentos ou embalagens.
O gás ozônio apresenta características sanitizantes atraentes para a indústria alimentícia, por ser mais seguro e potente do que os desinfetantes convencionais, agir sobre um grande número de microrganismos, incluindo patógenos resistentes. Além de ser reconhecido como seguro para o tratamento de garrafas de água (“General Recognized As Safe”-GRAS) pela “Food and Drug Administration” americana, ser utilizado efetivamente no tratamento da água para o consumo na Europa há mais de cem anos e na indústria de alimentos por décadas, o ozônio não deixa resíduos tóxicos nos alimentos, capazes de alterarem o odor e o sabor dos mesmos.
Na água engarrafada, a água ozonizada é recomendada pela Intertional Bottled Water Association (IBWA).O ozônio pode reduzir ou mesmo eliminar a necessidade de desinfecção química ou processos de altas temperaturas, com conseqüente redução de custos, com grandes benefícios, os quais vem sendo registrados em todas as partes do mundo.
O ozônio agrega os seguintes valores à indústria de bebidas:
-o ozônio é muito superior a qualquer outro método de limpeza, devido ao seu elevado poder oxidante;
-permite reduzir custos operacionais;
-redução de custos globais com produtos químicos, dentre outros, em quaisquer plantas industriais;
-transmite confiabilidade, devido às suas características.
-oelemento tipicamente não está associado a subprodutos e contaminação, revertendo-se ao oxigênio (O2)
Como é gerado no próprio local de utilização, o ozônio não requer cuidados especiais em relação ao armazenamento e manipulação.
O IBWA sugere um residual de 0,2 a 0,4 ppm de ozônio na água engarrafada. No Brasil, muitas empresas utilizam o ozônio para sanitização de embalagens.
No Brasil, o estudo publicado peça pesquisadora Claudia Catelani Cardoso comprovou que utilização do ozônio (4mg/L) para a sanificação de galões de 20L de água mineral mostrou-se uma alternativa eficiente, nas condições testadas.
Saiba mais: Avaliação microbiológica de um processo de sanificação de galões de água com a utilização do ozônio (Scielo)
Mais uma vez, a molécula polivalente do ozônio encontra uma aplicação inusitada. Um amplo estudo sobre o impacto de ozônio na armazenagem de alguns tipos de milho, foi apresentado por José Llanes Ocaña, da Universidade de Sinaloa no México, durante o VI International Symposium Ozone Applications, em Cuba.
O estudo analisou os efeitos do ozônio, sobre a eliminação de pragas as, fungos, aflatoxinas totais, ácidos graxos livres, índice de peróxidos e acidez e, qualidade e do grão. O trabalho foi realizado em laboratório, e posteriormente um teste piloto, simulando o uso em silos industriais. Foram realizados quatro experimentos, sendo que três receberam diferentes concentrações de ozônio, em tempos diferentes e um experimento ficou como controle. Ficou demonstrado que o ozônio tem ação sobre as pragas e o nível de mortalidade depende do tempo de contato e sua concentração. As características do grão e as propriedades nutricionais não sofreram qualquer alteração significativa; o nível de aflatoxinas total foi reduzido sob a ação do ozônio.